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Gestão de Crises como Campo de Pesquisa: um olhar inédito no Brasil

  • Foto do escritor: Eduardo L. Lozano de Camp
    Eduardo L. Lozano de Camp
  • há 12 minutos
  • 2 min de leitura

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A gestão de crises sempre esteve presente nas organizações, muitas vezes de forma reativa, intuitiva ou fragmentada. Acidentes industriais, falhas operacionais, eventos ambientais, crises reputacionais e emergências organizacionais continuam ocorrendo e, na maioria dos casos, revelam não apenas falhas técnicas, mas lacunas profundas de gestão, cultura, comunicação e tomada de decisão sob pressão.

No Brasil, apesar da recorrência desses eventos, a gestão de crises ainda é pouco explorada como um campo estruturado de pesquisa aplicada, especialmente quando integrada à engenharia, à gestão de riscos, à segurança de processos e ao comportamento organizacional. Grande parte das abordagens permanece restrita a manuais genéricos, respostas emergenciais ou estudos isolados de caso, sem um modelo sistêmico e preventivo.

É nesse contexto que surge o ineditismo da pesquisa em Gestão de Crises aplicada a ambientes industriais e organizacionais complexos. Como pesquisador na área, parto do princípio de que crises não são eventos isolados, mas o resultado de decisões acumuladas, falhas latentes, comunicação deficiente, vieses cognitivos e ausência de governança clara em momentos críticos. A crise é, quase sempre, o sintoma final de um sistema que deixou de ouvir seus próprios sinais de alerta.

A pesquisa em Gestão de Crises permite compreender como as organizações pensam, decidem e agem sob pressão, identificar falhas comportamentais e organizacionais que antecedem acidentes e eventos críticos, integrar de forma sistêmica a gestão de riscos, a engenharia, a liderança e a cultura de segurança, além de desenvolver modelos preventivos e não apenas reativos. Seu papel central é transformar acidentes em aprendizado estruturado, reduzindo a probabilidade de recorrência.

No cenário industrial brasileiro, especialmente nos setores farmacêutico, petroquímico, alimentício e de energia, essa abordagem torna-se ainda mais relevante. Ambientes altamente regulados, com processos críticos e potenciais impactos à vida humana, ao meio ambiente e à reputação corporativa, não podem depender exclusivamente da experiência individual ou de respostas improvisadas diante de eventos extremos.

Quando tratada como uma disciplina científica aliada à prática integrada, a gestão de crises fortalece a resiliência organizacional, qualifica a tomada de decisão em cenários de alta complexidade e contribui diretamente para a sustentabilidade dos negócios e da sociedade.

Mais do que responder à crise, o verdadeiro avanço está em compreender por que ela ocorre e como pode ser evitada.

Esse é o propósito da pesquisa em Gestão de Crises: transformar eventos críticos em conhecimento, aprendizado contínuo e prevenção estruturada.

 
 
 

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© 2016 por Eduardo Luiz Lozano de Campos

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