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O que antecede o erro: por que entender o estado emocional é essencial na prevenção de acidentes

  • Foto do escritor: Eduardo L. Lozano de Camp
    Eduardo L. Lozano de Camp
  • 24 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
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Em análises de acidentes, é comum que o foco recaia quase exclusivamente sobre o ato inseguro ou o descumprimento de um procedimento. Embora essa abordagem seja necessária do ponto de vista disciplinar e normativo, ela é insuficiente quando o objetivo é prevenir recorrências.

A literatura de segurança já é clara ao afirmar que erros humanos raramente são eventos isolados ou puramente técnicos. Eles são, na maioria das vezes, o resultado de uma combinação de fatores organizacionais, ambientais, cognitivos e emocionais.

Autores como James Reason, ao tratar do Human Error, demonstram que o erro operacional é frequentemente o último elo de uma cadeia de falhas latentes, muitas delas invisíveis no momento da execução da tarefa. Entre essas falhas, o estado psicológico e emocional do trabalhador ocupa um papel relevante, ainda que frequentemente negligenciado.

Situações de estresse elevado, fadiga mental, conflitos pessoais, preocupação intensa ou carga emocional significativa afetam diretamente funções cognitivas essenciais para a segurança, como:

  • atenção sustentada

  • julgamento de risco

  • tomada de decisão

  • adesão consciente a procedimentos

Isso não significa, em hipótese alguma, justificar o erro ou isentar o indivíduo de responsabilidade. A responsabilização por descumprimento de procedimentos continua sendo necessária e faz parte do sistema de gestão. Contudo, punir sem compreender o contexto humano limita a análise à superfície do problema.

A abordagem moderna de segurança, alinhada a conceitos como Just Culture e Safety-II, propõe que se vá além da pergunta “o que foi feito de errado?” e se inclua também:“O que fazia sentido para aquela pessoa naquele momento?”

Responder a essa pergunta não reduz a gravidade do evento, mas amplia a capacidade da organização de atuar sobre causas reais, como:

  • ausência de mecanismos de apoio em momentos críticos

  • falhas na identificação de trabalhadores emocionalmente vulneráveis

  • cultura que inibe o reporte de condições pessoais adversas

  • pressão por produtividade sem espaço para pausa ou substituição

Ignorar o fator emocional mantém a organização presa a um ciclo de reincidência, no qual novos procedimentos são criados, treinamentos são reforçados, mas os acidentes continuam ocorrendo sob contextos semelhantes.

Portanto, compreender o estado emocional do trabalhador envolvido em um acidente não é complacência, mas sim uma ferramenta essencial de prevenção. É nesse nível de análise que a segurança deixa de ser apenas normativa e passa a ser, de fato, sistêmica.


 
 
 

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© 2016 por Eduardo Luiz Lozano de Campos

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